Domingo , 22 Outubro 2017
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Pecuária é penalizada com excesso de chuvas e frio

Perda de peso dos animais, pastagens prejudicadas e atrasos na terminação são alguns dos prejuízos contabilizados pelo setor.

Depois do alto volume de precipitação registrado entre final de maio e início de junho, a hora é de contabilizar os prejuízos. As perdas atingiram vários setores e deixaram centenas de famílias desabrigadas em Santa Catarina. Depois do alto volume de precipitação registrado entre final de maio e início de junho, a hora é de contabilizar os prejuízos. As perdas atingiram vários setores e deixaram centenas de famílias desabrigadas em Santa Catarina.

Com o predomínio do tempo seco nesta semana, o frio também marca presença, o que pode gerar ainda mais prejuízos para a pecuária de corte, principalmente. O pecuarista Jair Noriler, médico veterinário e proprietário da Cabanha Ponche Verde, afirma que uma das consequências das chuvas e do frio, é a perda de peso dos animais, tendo em vista que aumenta o dispêndio de energia para compensar a umidade e o frio, além da apreensão dos alimentos, que é dificultada.

“ As perdas embora difíceis de estimar, são visíveis. Indo na fazenda, vendo e pesando os animais, você vai notar as perdas. Acredito que cada animal perdeu em torno de 7 quilos nestes últimos dias e principalmente aqueles que iriam para terminação, em torno de um quilo ou um pouco mais por dia, isso tudo representa prejuízo. Nós estimamos que as perdas na pecuária em termos de peso de animais no município de Campos Novos, considerando um rebanho de 50 mil cabeças, foram de 50 mil quilos e considerando um preço médio, teremos quase dois milhões de perdas, é o que podemos estimar”, considerou Noriler.

Além disso, se considera ainda um atraso de no mínimo 15 dias na terminação dos animais para o abate. Conforme o pecuarista, Campos Novos envia para o abate em torno de 10 mil cabeças/ano, sendo a maioria neste período de entressafra. Outras perdas, embora não estimadas, são substanciais de nutrientes do solo como o calcário e fertilizantes. Há também o atraso nas pastagens de inverno.

“ As pastagens foram extremamente afetadas. Uma coisa que a gente tem dificuldade de estimar são as perdas de nutrientes do solo, mas o que se perdeu de calcário e fertilizantes são grandes e isso não podemos medir com facilidade. Quem tinha feno ou algum outro alimento para os animais, não os colocou nas pastagens, mas os que os deixaram, o próprio barro e o pisoteio acabou danificando. Além disso, a falta de sol, de síntese de clorofila, fez com as pastagens estejam amarelecidas, estão muito feias neste período em que deveriam estar boas. O prejuízo poderia ter sido maior se tivéssemos registrado geadas muito fortes, que poderiam matar as pastagens de aveia em ciclo mais adiantado”, informou.

Jair Noriler

Não havendo geadas fortes nos próximos dias, as perdas nas pastagens de inverno podem ser recuperadas, o que deve implicar em mais custos ao produtor.

Perdas também na pecuária de leite, alguns produtores estimam em 10% a queda na produção, embora a maioria disponha de alimentos como silagem para compensar. Houve, porém, neste período um aumento dos custos com ração para quem produz leite e alguns produtores trabalharam empatando ou registrando alguma perda.

Riscos de doenças

Jair Noriler chama atenção também para o risco de doenças que os animais podem desenvolver neste período pós-chuva e de baixas temperaturas. “Agora nós temos que nos preocupar em everminar todos os animais, porque também as condições de humidade favorecem as verminoses, principalmente as verminoses pulmonares. Então aqueles animais que já tínhamos medicado, teremos que fazer tudo de novo. Também há muitos casos, principalmente na pecuária de leite, das doenças de cascos dos animais, a podridão de cascos que tem que ser tratadas. São uma série de precauções que devem ser adotadas”.

Outras perdas

O pecuarista considerou que há que se destacar ainda que todas as atividades das fazendas ficaram paradas por duas semanas, mas os custos com mão de obra e energia não cessaram neste período. “Estradas rurais, pontes, açudes, bebedouros e bueiros destruídos foram também prejuízos que ocorreram nas propriedades nos últimos dias e que demoram a ser recuperados”, finalizou.

Perdas na agricultura devido ao excesso de chuvas podem chegar a R$ 20 milhões em SC

As estimativas iniciais do Governo do Estado, apontam para perdas em torno de R$ 19,3 milhões. A Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa/Epagri), calculam os prejuízos, principalmente nas safrinhas de feijão e milho, que estão em fase final de colheita, e na produção de leite. As estimativas iniciais do Governo do Estado, apontam para perdas em torno de R$ 19,3 milhões. A Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa/Epagri), calculam os prejuízos, principalmente nas safrinhas de feijão e milho, que estão em fase final de colheita, e na produção de leite.

As perdas ainda estão sendo levantadas e um relatório preliminar foi divulgado no início da semana. O período considerado para os cálculos de prejuízos é de 27 de maio a 9 de junho, com base nas informações do Epagri/Ciram.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1483 de 15 de Junho de 2017.

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