Pinheiro da E.E.B Gasparino Zorzi é retirado e transformado em bancos

O pinheiro que já estava plantado no pátio da escola Gasparino Zorzi desde sua fundação em 1964, foi retirado, beneficiado e hoje é banco para comunidade escolar.

Pinheiros da espécie Araucaria angustifólia também conhecido popularmente por Pinheiro-do-paraná, Curi, Pinheiro-Brasileiro, Pinheiro-Caiová, Pinheiro-das-Missões e Pinheiro-São-José, são encontrados em toda região Sul do Brasil, mais especificamente na região do Paraná, por esse motivo, e também pelo excesso de desmatamento para a produção agrícola essa espécie está na lista de extinção.

A retirada de um exemplar da espécie da natureza, gera muita burocracia, porém se for por um motivo coerente, como no caso de estar oferecendo riscos a população, pois o pinheiro tem grandes galhadas e como a região onde ele se encontra é de ventos fortes, pode se desprender do tronco e causar grandes danos materiais e oferecer riscos à segurança das pessoas.

Data-se mais de 50 anos de história do Pinheiro que estava plantado e foi mantido desde a fundação da escola em 1964, por todos os membros da comunidade escolar Gasparino Zorzi. Não se tem uma data, nem uma idade exata da Araucária-do-Paraná que desde a construção da escola, já se encontrava no pátio. O pinheiro nunca atrapalhou as atividades escolares, exceto, no vendaval que destelhou várias casas e alguns galhos grandes do pinheiro caíram sobre a rede elétrica. Fora esse acontecimento, só se tem memórias boas da Araucária do pátio da escola. Inclusive a Sapecada do pinhão que acontecia anualmente desde 2007 na escola, foi motivada pela Araucária do pátio e se tinha até o tombamento do pinheiro como patrimônio histórico da escola.

Porém houve a necessidade da ampliação da unidade de ensino, quando em 2016, foram iniciados os trâmites legais junto à FUNDEMA (Fundação Municipal de Meio Ambiente), para a retirada do pinheiro. A Diretora da Escola Gasparino Zorzi, Solange Togni, deixa então seu agradecimento aos envolvidos para realização do projeto, “Inicialmente à FUNDEMA que na época era presidido pelo Senhor Gilson Lopes, que nos auxiliou muito em relação a como fosse feito, com a colaboração final do ex-prefeito Nelson Cruz que assinou o corte do pinheiro, tivemos também que nos dirigir a AMPLASC, no setor de Engenharia e lá, o Engenheiro Fábio Corrêa gentilmente colaborou, o Engenheiro Civil da ADR também colaborou na questão de como elaborar o projeto de corte, Senhor Renato Dal Bosco, a colaboração total em todos os processos do presidente da APP Professor Célio Barbosa e nosso membro da APP, tesoureiro Senhor Ricardo Silochi, a colaboração do Secretário de Desenvolvimento Regional em 2016 Senhor Alaor Gotz, e, já no inicio de 2017 Senhor Jairo Luft, a Presidente do Conselho Deliberativo Senhora Ana Wolff Lopes e a comunidade escolar que se empenharam para a retirada legal dessa árvore nativa do pátio da nossa escola. O pinheiro tinha 3m³ e a sua madeira quando retirada foi levada para beneficiamento, transformando em tábuas, que também contou com o auxilio do funcionário da obra de ampliação, o Senhor Sérgio da empresa Soberana. A partir do momento que tínhamos as tábuas, em conversa com o Secretário Jairo Luft, planejamos que a madeira ficasse dentro do ambiente escolar e levei até a professora de arte da escola, Luciane Tormem a ideia de fazermos bancos e esses bancos fossem pintados. O projeto das aulas envolveu o primeiro ano do curso técnico em administração, alunos dos quintos anos desenvolveram este belo trabalho, onde cada aluno colocava a sua parte. Todo o material usado para a confecção dos bancos, (tintas e fabricação), foi obtido através da venda do material de demolição das antigas salas que estão em reforma”.

O professor Célio Barbosa, presidente da Associação de Pais e Professores nos conta sobre como foi o processo para eles, pais e educadores, da retirada da araucária. “A divulgação e motivos pelo qual teria que ser feita a retirada do pinheiro, bem como citado pela diretora, o pinheiro se localizava em um local estratégico, tanto para construção da nova ala para o Ensino Médio quanto para os alunos que no intervalo circulavam em baixo dos galhos da árvore, por ser uma arvore considerada velha, apesar de estudos apontarem que a araucária tem uma vida bem longa, mas devido ao clima alguns galhos já haviam caído com ventania e também por este outro motivo optamos pela retirada dessa araucária. Houve um consenso com a comunidade e autoridades sobrea retirada da araucária também, por tanto, foi uma ação e decisão conjunta. Ficamos felizes com o resultado, onde a madeira dali retirada foi beneficiada e ficou ali mesmo para a escola utilizar, que está relacionado também a história da nossa escola. E está a disposição para visitas e visualização do público, onde está a madeira retirada do nosso pinheiro”.

A professora de artes, Luciane Tormen, envolvida, conta como foi a experiência de tratar e dar cara nova a madeira histórica do pinheiro. “Então o projeto foi desenvolvido com alunos dos quintos anos matutino e vespertino, 1° 01 e 02, também 2° 01 do Curso Técnico em Administração, as crianças se emprenharam bastante. Em 6 bancos foram feitas releituras de obras de Romero Britto e 07 bancos desenvolvidas técnicas de massa corrida com Betume, que dá a aparência de madeira de demolição, mas é a madeira do pinheiro e ficou uma técnica muito bonita, nós envernizamos todos eles e pude contar com o auxilio de todos, ficou muito bonito, foram aulas diferentes, que eles gostaram muito e estou muito feliz com o resultado”.

*Reportagem Publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1510 de 21 de Dezembro de 2017.

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