Fraternidade e superação da violência: Em Cristo somos todos irmãos

Igreja propõe ações concretas para a superação da violência na Campanha da Fraternidade 2018.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia na quarta-feira de cinzas, 14, a Campanha da Fraternidade 2018, que traz como tema “Fraternidade e Superação da Violência e como lema “Em Cristo somos todos irmãos”.

Em entrevista a jornalista Antonia Claudete Martins, o Bispo Diocesano Dom Mario Marquez nos contou sobre o objetivo que a Igreja deseja alcançar com um tema tão cotidiano e preocupante para a sociedade.

O Celeiro – Dom Mario, o tema da Campanha da Fraternidade 2018 trata da superação violência, por que a escolha dessa temática?

O tema se propõe a criar uma cultura de paz e de não violência. A violência tem sido causadora de tantos transtornos, de tantas situações na vida social atualmente. Desde a violência doméstica, principalmente contra a mulher; a violência carcerária,; a violência no campo, os conflitos de terra; a violência em relação aos povos indígenas, todas são realidades muito presentes. A violência migratória, por exemplo, das questões que vemos no mundo todo e também no nosso País, o imigrante tem uma dificuldade em relação a eles, de como a acolhê-los e tudo mais; além da violência infantil, ou juvenil. Quantas mortes de jovens em consequência das drogas, pela bebida, pela violência psicológica. Então tem uma série de violências causadas pela sociedade e é necessário que se reflita, se busque soluções, formas de amenizar toda essa questão geral para criar uma sociedade de irmãos, por isso que o lema é Campanha da Fraternidade – Vós sois todos irmãos, ou seja, reconhecer que Deus é o criador, Deus é pai e nós somos filhos e filhas e devemos então nos respeitar como seres humanos, como irmãos e como cristãos. Essa então é a questão que está sendo usada em torno do tema. O lema é que nós possamos buscar e criar uma cultura de paz a partir inclusive das sagradas escrituras e do evangelho.

O Celeiro – E o que propõe a Igreja, como ações concretas dentro da campanha da fraternidade que será lançada então na quarta-feira de cinzas?

A Igreja propõe para nós cristãos e também para a sociedade, para cada uma destas violências que eu acabei de citar, algumas coisas: como fazer, como procurar amenizar e procurar ajudar as pessoas a serem menos violentas ou até extinguir qualquer tipo de violência em todas as áreas.

O Celeiro – Faltam políticas públicas Dom Mário, para garantir a segurança em termos de combater ou superar a violência?

Não há dúvida de que a segurança pública também tem a sua missão, tem o seu compromisso de trabalhar com justiça e sanar ou inibir estas questões. Também são necessárias formas que a reação provoque a mudança nas pessoas, na formação familiar, na formação religiosa, na formação psicológica. É toda a integração da pessoa para com mundo que a cerca, com relação ao meio social em que vive, bem como a questão interior de cada um.

O Celeiro – A cultura de paz deve ser cultivada desde muito cedo no seio familiar e também nos outros meios de convivência social?

O ajudar na estruturação familiar deve ser um aspecto a surgir primeiro na própria família, evitar formas de violência interna. E também a sociedade em seu convívio social deve proporcionar ambientes em que a violência seja dizimada, que não exista violência. Claro, isso é um objetivo, uma meta a ser alcançada. As gerações, as pessoas estão dependendo do estado de espírito que estão vivendo, então às vezes nem conhecem a si próprias e algumas vezes reagem de forma violenta diante de algumas situações.

O Celeiro – Muita intolerância não é Dom Mario?

“Exato, vai pela intolerância, isso é um caminho que vem crescendo em alguns setores da vida social, religiosa e familiar. Então a preocupação da Igreja é para que nós possamos superar essa situação que o mundo tem provocado na vida através das pessoas para o próprio mundo.”
O Celeiro – O que mais o senhor gostaria de deixar dito aos nossos leitores?

Há uma série de oportunidades que podem ser exploradas neste sentido de superar a violência. Há também o texto base que trás estatísticas fiéis em cima do IBGE que é uma das pesquisas científicas do país, que nos dá um panorama da realidade onde a violência é mais intensa, um lugar ou outro, o nível e o tipo de violência. Estatísticas fornecidas pelo IBGE nortearam o material para a campanha da fraternidade, elaborando então o manual e todas essas informações e orientações. O texto base da Campanha da Fraternidade caracteriza a realidade, o que se deve fazer, com propostas efetivas para resolver ou ajudar a superar a violência. Como Bispo Diocesano agradeço a oportunidade de divulgação. Que Deus abençoe o trabalho deste veículo de comunicação, que o jornal seja também a forma de levar a reflexão aos leitores desse tema tão importante e tão presente no mundo atual.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1515 de 08 de fevereiro de 2018.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.