Segunda-feira , 28 Maio 2018
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Fraternidade e superação da violência: Em Cristo somos todos irmãos

Igreja propõe ações concretas para a superação da violência na Campanha da Fraternidade 2018.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inicia na quarta-feira de cinzas, 14, a Campanha da Fraternidade 2018, que traz como tema “Fraternidade e Superação da Violência e como lema “Em Cristo somos todos irmãos”.

Em entrevista a jornalista Antonia Claudete Martins, o Bispo Diocesano Dom Mario Marquez nos contou sobre o objetivo que a Igreja deseja alcançar com um tema tão cotidiano e preocupante para a sociedade.

O Celeiro – Dom Mario, o tema da Campanha da Fraternidade 2018 trata da superação violência, por que a escolha dessa temática?

O tema se propõe a criar uma cultura de paz e de não violência. A violência tem sido causadora de tantos transtornos, de tantas situações na vida social atualmente. Desde a violência doméstica, principalmente contra a mulher; a violência carcerária,; a violência no campo, os conflitos de terra; a violência em relação aos povos indígenas, todas são realidades muito presentes. A violência migratória, por exemplo, das questões que vemos no mundo todo e também no nosso País, o imigrante tem uma dificuldade em relação a eles, de como a acolhê-los e tudo mais; além da violência infantil, ou juvenil. Quantas mortes de jovens em consequência das drogas, pela bebida, pela violência psicológica. Então tem uma série de violências causadas pela sociedade e é necessário que se reflita, se busque soluções, formas de amenizar toda essa questão geral para criar uma sociedade de irmãos, por isso que o lema é Campanha da Fraternidade – Vós sois todos irmãos, ou seja, reconhecer que Deus é o criador, Deus é pai e nós somos filhos e filhas e devemos então nos respeitar como seres humanos, como irmãos e como cristãos. Essa então é a questão que está sendo usada em torno do tema. O lema é que nós possamos buscar e criar uma cultura de paz a partir inclusive das sagradas escrituras e do evangelho.

O Celeiro – E o que propõe a Igreja, como ações concretas dentro da campanha da fraternidade que será lançada então na quarta-feira de cinzas?

A Igreja propõe para nós cristãos e também para a sociedade, para cada uma destas violências que eu acabei de citar, algumas coisas: como fazer, como procurar amenizar e procurar ajudar as pessoas a serem menos violentas ou até extinguir qualquer tipo de violência em todas as áreas.

O Celeiro – Faltam políticas públicas Dom Mário, para garantir a segurança em termos de combater ou superar a violência?

Não há dúvida de que a segurança pública também tem a sua missão, tem o seu compromisso de trabalhar com justiça e sanar ou inibir estas questões. Também são necessárias formas que a reação provoque a mudança nas pessoas, na formação familiar, na formação religiosa, na formação psicológica. É toda a integração da pessoa para com mundo que a cerca, com relação ao meio social em que vive, bem como a questão interior de cada um.

O Celeiro – A cultura de paz deve ser cultivada desde muito cedo no seio familiar e também nos outros meios de convivência social?

O ajudar na estruturação familiar deve ser um aspecto a surgir primeiro na própria família, evitar formas de violência interna. E também a sociedade em seu convívio social deve proporcionar ambientes em que a violência seja dizimada, que não exista violência. Claro, isso é um objetivo, uma meta a ser alcançada. As gerações, as pessoas estão dependendo do estado de espírito que estão vivendo, então às vezes nem conhecem a si próprias e algumas vezes reagem de forma violenta diante de algumas situações.

O Celeiro – Muita intolerância não é Dom Mario?

“Exato, vai pela intolerância, isso é um caminho que vem crescendo em alguns setores da vida social, religiosa e familiar. Então a preocupação da Igreja é para que nós possamos superar essa situação que o mundo tem provocado na vida através das pessoas para o próprio mundo.”
O Celeiro – O que mais o senhor gostaria de deixar dito aos nossos leitores?

Há uma série de oportunidades que podem ser exploradas neste sentido de superar a violência. Há também o texto base que trás estatísticas fiéis em cima do IBGE que é uma das pesquisas científicas do país, que nos dá um panorama da realidade onde a violência é mais intensa, um lugar ou outro, o nível e o tipo de violência. Estatísticas fornecidas pelo IBGE nortearam o material para a campanha da fraternidade, elaborando então o manual e todas essas informações e orientações. O texto base da Campanha da Fraternidade caracteriza a realidade, o que se deve fazer, com propostas efetivas para resolver ou ajudar a superar a violência. Como Bispo Diocesano agradeço a oportunidade de divulgação. Que Deus abençoe o trabalho deste veículo de comunicação, que o jornal seja também a forma de levar a reflexão aos leitores desse tema tão importante e tão presente no mundo atual.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1515 de 08 de fevereiro de 2018.

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