Diretor executivo da Fecoagro diz que apesar das dificuldades as demandas das cooperativas serão atendidas
É do conhecimento de todos a importância do agronegócio na economia brasileira, mas este setor só é bem-sucedido devido ao uso de insumos que contribuem para agilizar o trabalho dos produtores. Porém os problemas relacionados a tabela de fretes lançada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (Antt), que ainda está em discussão, poderá afetar os produtores rurais. O diretor executivo da Federação das Cooperativas Agrícolas do Estado Santa Catarina (Fecoagro), Ivan Ramos, diz que tanto cooperativas quanto produtores rurais terão que lidar com os valores altos na comercialização de fertilizantes.
O jornal O Celeiro de semana passada fez uma matéria que apresentou o relato de algumas cooperativas que apontaram a questão da tabela fretes como um empecilho nas negociações de fertilizantes, e segundo Ivan esta situação de fato provocou a paralisação dos transportes e a retração nas entregas. “Somente estão sendo transportados os casos mais urgentes de necessidade dos produtos”, afirma. Ainda de acordo com Ivan Ramos a Fecoagro, a princípio, está preparada para abastecer as cooperativas com os fertilizantes planejados, a empresa terá condições de atender as demandas especialmente das cooperativas filiadas. “Acreditamos que podemos atender as necessidades das empresas, salvo se houver algum imprevisto no fornecimento ou na logística”, diz, admitindo que ainda faltam ser adquiridos no exterior um volume de matéria prima, mas que talvez não interfira nas negociações.

As dificuldades e instabilidades no cenário nacional do agronegócio se deu em consequência da greve dos caminhoneiros que acabou provocando aumento nos custos dos insumos. Ivan cita a paralisação do Porto São Francisco do Sul que retardou a descarga das matérias primas para a produção de fertilizantes. “Essa situação provocou pelo menos 10 dias de atraso no desembarque dos navios, provocando um custo imediato de 10 dólares por tonelada nos fertilizantes. São valores irrecuperáveis”, afirma. Internamente a paralisação atinge as cooperativas que compram fertilizantes, principalmente se a tabela do frete que está vigorando atualmente for praticada, aumentando o custo dos fertilizantes para as cooperativas e para o agricultor em média R$ 50,00 por tonelada. “O preço do frete a partir de São Francisco do Sul até a região oeste passou de R$ 80,00 para R$ 130,00 por tonelada. Se consideramos que ainda temos a entregar cerca de 150 mil toneladas. Nesse momento o prejuízo é de R$ 7,5 milhões somente nos fertilizantes da Fecoagro”, relata. Os demais defensivos agrícolas também devem passar por mudanças, os fornecedores que entregaram os produtos já estavam com o preço do frete embutido, os que ainda não entregaram provavelmente terão os valores alterados. Os fertilizantes devem sofrer um aumento de no mínimo de 3 a 5 %. Os agricultores que ainda não compraram os insumos irão sentir este aumento.
Considerando a importância do agronegócio para o Brasil e para o mundo esta é uma questão que deve causar preocupação não só para os empresários e produtores, mas também para o governo federal, pois as consequências são desastrosas para a economia nacional. A dificuldade de negociação pode atrasar culturas e prejudicar as produções que dependem dos insumos, segundo Ivan sem insumo não tem a agricultura. “A tecnologia é fundamental na produtividade, portanto é impensável produzir, principalmente culturas de área extensivas, como no caso dos grãos, dependem dos insumos. Não apenas dos fertilizantes, como os demais defensivos agrícolas”, conclui.
O impasse da tabela
A greve dos caminhoneiros ainda está dando o que falar e continua provocando discussões e problemas para os empresários que trabalham com cargas. No dia 30 de maio a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgou uma tabela com preços mínimos como prevê a MP 832, no entanto o documento tem gerado muita polêmica e desagradou o setor produtivo, que alegou aumentos de até 150% nos preços do frete e já existem grupos se mobilizando para recorrera justiça para barrar o tabelamento.
O Governo Federal esta tendo dor de cabeça para resolver o problema. Semana passada o ministro Luíz Fux promoveu um reunião entre empresários e caminhoneiros, mas que não chegou a consenso nenhum. Outra reunião está marcada para o dia 28 de junho e desta vez a expectativa é de que as partes cheguem a um acordo e que a tabela mínima estabelecida pela ANTT beneficie a todos.
A ANTT abriu um processo de consulta para a elaboração de uma nova tabela com preços mínimos para o país. O período para enviar as contribuições segue até o dia 3 de agosto.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição, 1535 de 28 de junho de 2018.






