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O Ilusionismo e o Empreendedorismo

Pedro Augusto Neves da FontouraAs ilusões iniciais e os ditados que ajudam a entender, na prática, o amor e a dor que é ter o próprio negócio.

É bem verdade que a maioria das empresas surgem apoiadas no binômio do interesse de ser dono do próprio negócio e da necessidade de se reforçar o orçamento doméstico, mas, será que esse sonho que passa na cabeça de boa parcela dos brasileiros não é apenas uma ilusão?

Um dos primeiros choques de realidade vem quando se descobre que, como se diz por aí, “só boa vontade e cara alegre não bastam”. É verdade que essas são premissas básicas em qualquer ramo de atividade, mas tão importante quanto o bom atendimento é o planejamento e a preparação do empresário para enfrentar o caminho tortuoso e – por que não? – injusto do empreendedorismo.

Essa necessidade se estende até mesmo nos casos onde se tem uma ideia ou um produto genial, daqueles que inspiram o pensamento de “como eu não pensei nisso antes?!” Idealizar o negócio perfeito é apenas uma pequena parcela de todo o processo necessário para se abrir e gerir uma empresa até que ela comece a produzir os próprios frutos.

Outro truque indispensável é o de planejar cada passo, atentar muito à parte estrutural jurídico/financeira e não se dar ao luxo de pensar que o negócio vai caminhar com as próprias pernas. Como dizem no jargão popular, “o que engorda o gado não é o pasto, mas o olho do dono”.

É indispensável se entregar de corpo e alma ao negócio. Se você pensa em empreender para ser o “patrão” e fazer o próprio horário, folgar quando quiser e ter regalias, pare imediatamente de sonhar e permaneça assalariado, por que isso é a mais pura ilusão. Ter uma empresa importa invariavelmente em passar noites sem dormir, trabalhar 14 horas por dia, não ter feriados e finais de semana e ser o primeiro a chegar e o último a sair.

O pior, digo, o mais desafiador, é o fato de que estes são apenas alguns ingredientes básicos da receita do empreendedorismo, os quais, sem qualquer um deles, o plano não prosperará de jeito nenhum, mas além destes existem vários outros e, mesmo que todos sejam seguidos à risca, ainda assim a receita pode injustificadamente fracassar e, aquilo que era uma ilusão do sucesso, se transformar no famigerado pesadelo do fracasso.

Empreender é fácil, empreender com êxito importa em muita preparação, trabalho árduo, um toque de fé e de sorte, o resto é ilusão!

Por: Pedro Augusto Neves da Fontoura
Advogado. OAB/SC 31.170
Teske, Lara & Neves da Fontoura Advogados  Associados

*Coluna publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1582 de 13 de junho de 2019.

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