A Arte como aliada ao aprendizado e desenvolvimento dos estudantes

Projeto ‘Vivências artísticas contemporâneas: GRAFFITI’ viza ajudar os alunos com dificuldade de aprendizagem.

‘Múltiplas inteligências’, já ouviu falar? Este termo se tornou conhecido após o psicólogo Howard Gardner desenvolver uma teoria (Teoria das Inteligências Múltiplas) no qual ele afirmava que existem várias aptidões além do raciocínio lógico-matemática, que após anos foi utilizado como única métrica para definir a inteligência humana. Felizmente, os estudos provaram que ‘todos têm capacidade de aprender, porém nem todos aprendem do mesmo jeito’.

Geralmente, pais e professores que estão mais próximos aos alunos, são os que conseguem perceber quem são aqueles que aprendem de forma peculiar. O que fazer para ajudar este aluno? A Arte é um dos recursos que podem ser utilizados para incentivar o aprendizado, o desenvolvimento e as habilidades deste aluno, que muitas vezes tem sua autoestima abalada por se ver como um aluno abaixo da média.

Em alguns casos, alunos com dificuldade de aprendizagem são ótimos desenhistas. A professora de Artes, Monica de Mattia, que atua há 26 anos como docente, atesta que a diferença entre os estudantes realmente existe, e por isso tem feito de tudo para ajudá-los. “A aprendizagem não é igual para todos. Todos podem aprender, mas cada um tem uma habilidade mais desenvolvida”, afirma. Atenta a este cenário, Monica faz uso da arte do desenho para incentivá-los. “Na minha época de estudante eu não tinha muitas habilidades, minhas colegas participavam de campeonatos e eu nunca participava porque eu só desenhava e só gostava de artes. Eu quero lutar por esses alunos para que possam ter suas habilidades valorizadas”, diz.

Quem já assistiu ao filme ‘Como Estrelas na Terra’ entende bem como as pessoas com limitações são diferentes na forma de aprender. É preciso conhecimento e entendimento para abrir os horizontes destes alunos e apresentar-lhes novas perspectivas. “Geralmente os alunos que tem essa facilidade e gosto pela arte não tem assistência fora da escola. Temos muitos programas assistencialistas em relação ao esporte que são muito importantes, mas o aluno que gosta do desenho fica desassistido. Às vezes esse aluno pode ter uma dificuldade de aprendizagem, e precisa ser inserido. Quando sai do âmbito escolar não encontra nada que o ajude a se desenvolver. Quantos alunos estão por aí e talvez não tenham voz e vez e terminam os estudos apenas achando que a única coisa que sabem fazer é desenhar.Um aluno com estas características não pode ser deixado de lado” reflete. O que fazer por eles? O Poder Público, as escolas, e os professores devem estar preparados para atender alunos com os diversos tipos de limitações. Os professores têm feito sua parte, mas como política pública ainda é bem defasado esse olhar. “Juntos podemos olhar este aluno de outra forma. Na escola temos uma sala de altas habilidades para alunos que se destacam nessa habilidade. Estamos caminhando lentamente neste caminho. Devemos abrir os olhos para pensar em qual será o futuro deste estudante”, complementa Monica.

A ação da professora vai além de atuar nas escolas em que trabalha, ela idealizou o projeto que já foi levado a Administração Municipal. ‘Vivências artísticas contemporâneas: GRAFFITI’ foi apresentado ao prefeito Silvio Alexandre Zancanaro e foi aprovado. “Em parceria com o Rafael Lucas Pereira, muralista de Campos Novos, idealizamos um trabalho para esses alunos. Pensamos num projeto de grafite que não precisa de muita coisa. Queremos ajudar o aluno a aprimorar suas técnicas de desenhos e trabalhar valores que os ajudem a crescer. A arte traz o poder da reflexão, e o grafite muito mais, principalmente porque ele está ali a céu aberto. O grafite abraça as pessoas. A intenção do projeto é trabalhar o ser através do desenho”, explica.

O projeto tem como objetivo principal “promover a inclusão social de crianças e adolescentes. Por meio de atividades educativas e culturais eles desenvolverão sua criatividade, aumentarão sua sensibilidade através da capacidade de observação e percepção das realidades e acima de tudo expressar suas emoções. Utilizaremos a arte como ferramenta de transformação social trabalhando o respeito, a cooperação e solidariedade. Mantendo uma atitude de busca pessoal ou coletiva investigando, indagando para compreender a arte como meio de humanização através das produções artísticas”.
O projeto reforça “A Arte-Educação’ como uma forma de desenvolver o autoconhecimento e aumentar a capacidade de interpretar, exercendo um papel de agente transformador na escola e na sociedade. A arte é importante para o desenvolvimento percentual, emocional e criador do indivíduo. Permite uma organização de experiências, auto compreensão e de relacionamentos com outros, por meio de leitura do mundo e expressão pessoal, seja plástica, visual, sonora, dramática e verbal dessa leitura”.

Antes desse projeto inovador, a professora também desenvolveu o projeto ‘Arte de Rua’, que este ano chega a sua segunda edição. “O primeiro ‘Arte de Rua’ que aconteceu em 2021 na escola Paulo Blasi foi trabalhado com alunos do Ensino Médio e os alunos da sala de altas habilidades. Partimos da ideia do grafite, uma arte contemporânea. A maior importância desse projeto é dar destaque ao aluno que tem habilidades artísticas. Este ano faremos este trabalho novamente com o Novo Ensino Médio”, finaliza.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1720 de 17 de março de 2022.

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