Brasil tem aumento de inadimplentes, mas Santa Catarina e Campos Novos apresenta queda

Educação financeira é ferramenta útil para ajudar no planejamento financeiro e evitar dividas.

No último relatório do Serasa o Brasil apresentou um salto no número de inadimplentes em relações a períodos anteriores. Atualmente há cerca de 65 milhões de pessoas endividadas e o montante das dívidas chega a R$ 266,8 bilhões. “O mais recente levantamento indica que o número de inadimplentes no Brasil cresceu 0,81% em relação a fevereiro, apresentando o terceiro mês consecutivo em crescimento. Com relação ao perfil dos inadimplentes, os brasileiros de 26 a 40 anos se destacam na faixa etária, representando 35,2% do total dos inadimplentes. No período, a soma total dos descontos concedidos no Serasa Limpa Nome, chegou mais de 6 bilhões em total de descontos, evitando que o volume de endividados no país crescesse ainda mais”. A pandemia é apontada como uma das justificativas para esta evolução. Os reflexos do lockdown ocorrido no ano anterior estão vindo agora, dizem alguns empresários.

Marcos Giovani da Silva, Presidente da CDL Campos Novos

Em contrapartida, Santa Catarina e o município de Campos Novos apresentam uma queda na inadimplência de 0,79 e 0,89 respectivamente. Santa Catarina figura na penúltima posição de estados em números de endividados. O presidente da CDL Campos Novos, Marcos Giovani da Silva destacou que os resultados locais foram em virtude de não ter ocorrido uma paralisação prolongada das atividades. “Algumas medidas tiveram que ser tomadas devido ao agravamento da pandemia, mas houve consequências e isto está diretamente ligado a isso. Nós tivemos uma variação negativa de registro de SPC e Serasa. No estado e no município não tivemos o fechamento indiscriminado do comércio. Houve redução cerca de 400 pessoas endividadas em Campos Novos”, afirmou o presidente.

Apesar da diminuição do número de endividados no estado e município, a inadimplência é uma constante no Brasil. Poupar e planejar os gastos não faz parte da cultura da maioria, e os desejos de consumo normalmente estão a frente do que realmente é importante, conforme destaca Marcos. “Enquanto entidade estimulamos o consumo desde que seja consciente e saudável. A partir do momento que a pessoa está endividada ela terá juros e ela fica retraída de comprar, não é saudável para o comércio que a pessoa esteja devendo. É preciso pensar se o dinheiro gasto é com itens de primeira necessidade e se o parcelamento não terá muitos juros. O Brasil também não costuma economizar para ter uma reserva de segurança”, avalia Marcos.

Seria a educação financeira um caminho para ajudar a população a administrar melhor os recursos? Em alguns países, como os Estados Unidos, as crianças começam a aprender sobre finanças ainda cedo, nos primeiros anos escolares. No Brasil, apenas agora com o projeto do Novo Ensino Médio, será incluído este tema para trabalhar com os jovens estudantes. O conhecimento sobre o assunto permitirá que os jovens cresçam e usem o dinheiro de forma consciente e responsável.

Silmara Antunes,
Representante da Academia da Moeda

A empresária e sócia-proprietária da Academia da Moeda, Silmara Antunes ao lado do empresário Ardiles de Morais Bispo idealizou o Projeto de Educação Financeira justamente por perceber a necessidade de fomentar este tema. De acordo com ela, o endividamento no Brasil é uma consequência da má administração das finanças. “A maioria dos brasileiros não têm a cultura de poupar dinheiro e nem sempre tem consciência financeira, e isso reflete no endividamento que nos encontramos. Atualmente alguns dados comprovam que no Brasil mais de 50% da população está endividada e mais de 90% não teve uma educação financeira. Este é um número alto”, diz.

O conhecimento sobre finanças é ainda mais importante diante de crises financeiras. Nos últimos anos o mundo assistiu diversas catástrofes que quebrou o sistema financeiro. A crise imobiliária, a pandemia, a Guerra entre Rússia e Ucrânia são alguns dos eventos que provocaram uma crise que atingiu muitos países. “Quem é educado financeiramente estará mais bem preparado para passar por momentos de crise. A pessoa sabe que precisa economizar, pois os gastos serão maiores e a arrecadação menor. Famílias que estabelecem uma cultura com noções financeiras saberão lidar com situações mais difíceis”, reflete Silmara.

Independentemente da época, administrar bem o dinheiro é importante tanto para quem ganha muito quanto para quem ganha pouco. Além disso, a educação possibilita não apenas a quitação das contas, mas também a realização de sonhos. Poupar é um dos requisitos para comprar os itens de desejo e também quando se quer ter uma reserva de emergência. “Quem não age com responsabilidade vive envolvido em dívidas. Poupar é uma escolha racional. Você economiza para poder ter um dinheiro caso aconteça alguma situação inesperada. A reserva também te ajuda a realizar um objetivo especifico”, afirma Silmara.

Com o foco na educação financeira de crianças e adolescente, a Academia da Moeda chegou a Campos Novos para incentivar os mais novos a pensar de forma inteligente. “Nós ensinamos o jovem a poupar para que possam investir. Como empresa somos inovadoras na área. Queremos mudar essa realidade e expandir a educação financeira. A ideia surgiu pelo desejo de ensinar os mais jovens que quanto mais cedo eles tiverem uma consciência do dinheiro e aprenderem a poupar mais bem sucedidos eles podem ser. Tendo essa noção desde cedo eles utilizarão o dinheiro da forma correta e evitarão endividamentos desnecessários”, explica a empresária. A Academia da Moeda oferece aulas presencias uma vez por semana para alunos de 9 a 18 anos. Mais informações pelo (49) 99110.6156.

*Reportagem publicada no ‘Jornal O Celeiro’, Edição 1730 de 26 de maio de 2022.

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