Melhoramento genético animal: A ciência conseguirá preparar animais perfeitos?

Inseminação Artificial e Fertilização In Vitro são os principais métodos utilizados para obter animais com boa produtividade.

Fábio José Gomes, professor e coordenador do projeto

O melhoramento genético promoveu grande celeridade a cadeia produtiva de alimentos no mundo. Tanto a agricultura quanto a pecuária fazem uso da ciência para obter melhores resultados. Em animais, o melhoramento tem como objetivo desenvolver características específicas, aumentando a produtividade e rentabilidade do produtor. A produção de leite aumenta, a carcaça do animal fica mais robusta, o desenvolvimento do animal acontece em um curto espaço de tempo. Só para citar alguns benefícios. O professor e veterinário da Universidade do Meio Oeste – Unoesc, Fábio José Gomes falou sobre os processos envolvidos no melhoramento e sobre a busca pelos melhores animais. Alcançaremos um dia animais perfeitos por meio da ciência?

Existe um caminho longo pela frente para alcançar a excelência, mas de acordo com o professor, chegar a um animal prefeito não é tarefa possível. O que o melhoramento genético faz é buscar atender as principais necessidades do mercado. Entre os principais métodos para alcançar animais produtivos é a Inseminação Artificial e a Fertilização In Vitro (FIV). No entanto, o veterinário também acrescenta que para que o animal produza com qualidade é necessário a ajuda não apenas da seleção dos melhores animais, mas também um ambiente propício. “O processo de melhoria genética é multifatorial. É necessário ambiente ideal e boa alimentação. Por exemplo, se o produtor quer aumentar a produção de leite, ele deve verificar em que contexto a vaca está. Tem pastagem e boa alimentação? Se estiver tudo bem, mas a vaca não estiver produzindo de maneira satisfatória, não vamos trocar todas as vacas, nós vamos fazer o melhoramento para que as próximas gerações sejam melhores”, diz o professor.

O primeiro passo para o melhoramento é inseminação artificial. “Através dela eu consigo comprar o sêmen de um touro bom e introduzir na vaca. As vacas não vão mudar, mas seus filhos serão melhores. Cada geração vai ficando melhor. A inseminação é uma ferramenta bem difundida entre os produtores”, explica o veterinário. A segunda alternativa é através da FIV, quando há uma fêmea é usada apenas como receptora de um embrião de total qualidade. “Este processo é feito em laboratório. Preparamos e inseminamos com um sêmen de alto potencial genético e entregamos ao produtor um embrião pronto para inovulação. O bezerro gerado terá um potencial genético melhor que o da receptora. A FIV potencializa a utilização da fêmea. Uma vaca tem poucos bezerros por ano. Com a FIV podemos fazer coletas frequentes e em cada coleta ter um número maior de oocistos e consequentemente um número maior de embriões, gerando mais filhos”, acrescenta.

Contudo, ainda há questões que devem ser observadas, pois há riscos envolvidos. “Sempre há um receio no trabalho de melhoramento genético, como, por exemplo, na redução de variabilidade, ou endogamia. Tem produtor que usa o mesmo touro para coleta de sêmen. Isso gera uma redução de produção, reduz a viabilidade dos animais, e dependendo do nível de endogamia aumenta a chance de doença genética. Os animais são mais sensíveis, não tem boa adaptação” diz o veterinário.

Todo o esforço empreendido tem rendido ao agronegócio e ao homem do campo grande evolução. Os estudos em busca de melhorias continuam acontecendo. Em Campos Novos, em breve funcionará o Laboratório de Reprodução Animal visando aperfeiçoar a pecuária na região. Apesar de todos as pesquisas e estudos, o médico veterinário aponta alguns fatores que distanciam a perfeição animal. “Este é um processo que nunca tem fim. Tem uma série de fatores envolvidos. Primeiro, quanto mais nós melhoramos a produção animal, mais são os efeitos refletidos em outras áreas. Sempre há um efeito residual. Há fatores negativos vinculados. Segundo o mercado não é estático, ele muda a todo momento. Por exemplo, se hoje o mercado quer uma carcaça com nível maior de gordura com marmoreio, amanhã pode ser diferente. O melhoramento vai ter que produzir um animal que cumpra os requisitos exigidos em determinado momento. É um trabalho continuo”, conclui o profissional.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1733 de 16 de junho de 2022.

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