LUTO: Campos Novos perde Melzi Cavazzola

Campos Novos amanheceu triste com a notícia da morte do ex-prefeito de Campos Novos, Melzi Cavazzola.

Ele faleceu na madrugada deste domingo, 3 de julho, no Hospital Doutor José Athanázio aos 80 anos. O corpo de Melzi está sendo velado na capela 2 da Funerária Frei Rogério, e será sepultado às 16h no cemitério Dom Daniel Hostin.

Melzi Cavazzola foi vereador e prefeito de Campos Novos em 1963. O Jornal O Celeiro presta os sentimentos aos familiares e amigos.

Em maio de 2021 Melzi foi entrevistado pelo Jornal O Celeiro onde contou sua história, na editoria ‘Quem conta a história’. Acompanhe:

O ex-parlamentar assumiu o desafio quando o município ainda era o segundo com maior extensão territorial de Santa Catarina.

O encontro de Melzi Cavazzola com a equipe do jornal ‘O Celeiro’ aconteceu em um lugar já bem conhecido pelo entrevistado: a antiga Prefeitura Municipal de Campos Novos, que hoje abriga a Casa da Cultura. Um lugar familiar trouxe ainda mais memórias que Melzi contou como se tivessem acontecido ontem. Mas fora em 1963 que iniciou sua vida na política em Campos Novos quando foi eleito vereador e logo em seguida foi escolhido para ser o prefeito de Campos Novos. Ele relembra cheio de orgulho o voto de confiança depositado num gaúcho que chegou ao município com vinte anos de idade e aqui está até hoje. Confira nossa entrevista para mais uma sessão ‘Quem Conta a História’ em comemoração aos 140 anos de Campos Novos.

“Se tiveres oportunidade de ser útil na vida, não se torne um simples espectador. Eis o fruto do nosso trabalho”. Sorridente ele recita a frase que consta na placa de inauguração do Paço Municipal de Campos Novos, ou seja, a Prefeitura Municipal, idealizada pelo arquiteto Dirceu Carneiro, na gestão do então prefeito Melzi Cavazzola, que decidiu mudar o endereço da administração municipal para o espaço que permanece até hoje. Com uma foto em mãos ele comprova o que falava: que Ulysses Guimaraes, político famoso por sua oposição à ditadura, esteve presente no dia da inauguração do novo espaço no ano de 1976.

Como este rio grandense, nascido em Antônio Prado, veio parar em Campos Novos e assumiu tamanha autoridade no município? Ele volta um pouco no tempo e conta como tudo começou. Aos 19 anos, ao ler um jornal, viu um anúncio de emprego em uma das serrarias em Santa Catarina. A oferta era boa, então aos 20 anos ele chegou aqui para administrar uma grande serraria. As madeiras extraídas chegavam a diversos estados e para escoá-las eram necessárias boas estradas. Os pedidos aos administrados não eram ouvidos, daí surgiu a ideia de envolverem-se na política, conforme Melzi conta. “Os madeireiros reclamavam da estrada do interior para escoamento. No inverno era terrível porque os carros atolavam. Os madeireiros fizeram um movimento para eleger como prefeito Dejandir Dalpasquale, um político que apoiaria as demandas da classe. Ele ganhou e atendeu os madeireiros dando atenção às estradas. Para substituir o Dejandir, foi eleito o chefe de gabinete Nelson Serpa. Neste mesmo ano, em 1969, aos 26 anos, eu me candidatei a vereador e fui presidente da Câmara de Vereadores”. Após a entrada na vida política, logo Melzi constituiu família e fixou morada no município.

Com o regime militar a maioria dos partidos foram extintos. Em Campos Novos só haviam dois partidos, o Arena, que defendia o regime militar, e o PMDB, que era o partido de oposição. Após o mandato do Nelson Serpa foi a vez de Melzi, único candidato do PMDB. “A lei permitia que cada legenda tivesse três candidatos. Eu fui o único candidato do partido e enfrentei os outros três que eram Umberto Calgaro, Edson Ubaldo e Falavino Ferreira. Eu ganhei a eleição somando o voto dos três juntos. Tive 698 votos”, gaba-se com alegria do grande feito.

Na época o território de Campos Novos compreendia vários outros municípios, sendo o segundo maior em extensão. Entre muitos desafios Melzi Cavazolla relata que era difícil gerir um território tão grande, com uma população com cerca de 50 mil habitantes. Além disso, ele citou o fato de muitos cidadãos acharem que o prefeito pode e deve fazer tudo. “No interior o prefeito recebe todo tipo de solicitação. As pessoas não tem noção de que o prefeito só pode fazer o que é autorizado”, desabafa, porém, este pensamento parece não ter mudado com o tempo. Outra situação que Melzi compara é a relação entre município e estado, no qual ele afirma não ter recebido apoio financeiro. “Os municípios só recebiam atenção se pertencessem à corrente política do governador. Fiquei quatro anos e nunca recebi um convênio para ter qualquer recurso”, relata. Quanto à relação com o Governo Federal ele relembrou que os prefeitos realizaram um movimento para melhorar a BR 470, e foi ele quem conversou com presidente Ernesto Geisel para fazer a solicitação que foi atendida.

Melzi afirma que sua gestão foi muito marcante e significativa para o desenvolvimento local. Além da construção do prédio da Prefeitura de Campos Novos ele cita o engajamento na busca pela rede de esgoto no município e na infraestrutura de estradas e algumas melhorias no Hospital Dr. José Athanázio. Ele presenciou a transição da vocação econômica do município, que passou da extração da madeira para a agricultura e pecuária. Inclusive foi em um dos anos de seu mandato que a Coopercampos iniciou os trabalhos.
Enquanto atuava como prefeito municipal, aos finais de semana ele estudava e conseguiu concluir sua formação em Direito. Após formado se dedicou ao direito e atuou por anos como consultor jurídico. Ao lembrar de sua história ele resume seu sentimento em gratidão. “Aqui eu não tinha ninguém. Mas as pessoas me acolheram, me aceitaram e permitiram que eu as representasse. Sou feliz e grato por isso. Eu tenho muito carinho por Campos Novos. Aqui formei minha família”, conclui Melzi.

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