A chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre setembro e dezembro subiu para 95%, segundo nova atualização divulgada nesta quinta-feira (10) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos. Diante deste cenário, a Defesa Civil estadual redobra o monitoramento e se antecipa aos possíveis efeitos da intensificação do fenômeno sobre Santa Catarina.
Na região Sul do Brasil, o El Niño é conhecido por aumentar a frequência de chuvas e vinha ganhando força desde o inverno deste ano. De acordo com a NOAA, a temperatura da região do Niño 3.4, área do oceano Pacífico usada como referência para o monitoramento do fenômeno, ficou em 1,8 °C na média de agosto, valor que já caracteriza um El Niño forte. A agência afirma, ainda, que há 75% de chance de um El Niño histórico, com a maior intensidade registrada desde 1950.
A intensidade do fenômeno, no entanto, não é definida pela temperatura observada em um único dia ou em uma única semana. “São utilizados índices que consideram a média das anomalias de temperatura do mar ao longo do mês, combinada à avaliação da persistência desse aquecimento”, explica o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra. Além dos dados do oceano, a NOAA também avalia a resposta da atmosfera, já que o El Niño se caracteriza quando o aquecimento do Pacífico vem acompanhado de mudanças consistentes nos ventos, na convecção e na distribuição das chuvas.
A classificação segue uma escala de anomalias de temperatura. Um El Niño fraco registra entre 0,5 °C e 0,9 °C, e um moderado, entre 1,0 °C e 1,4 °C. A partir de 1,5 °C, o fenômeno passa a ser considerado forte, e acima de 2,0 °C, muito forte. No boletim semanal publicado na segunda-feira (07) pela NOAA, a anomalia se mantém em 1,8 °C.
El Niño impacta o clima catarinense, mas não é sinônimo de desastre
O inverno costuma ser uma estação seca em Santa Catarina, mas neste ano o cenário foi diferente. Sob influência do El Niño, agosto terminou com volumes de chuva acima do esperado para o período, superando a média histórica entre 160 mm e 200 mm na Grande Florianópolis.
Nos meses de primavera e verão, a expectativa é de atenção redobrada às chuvas e aos temporais, já que esse período é naturalmente mais chuvoso no estado. A intensificação do El Niño tende a aumentar ainda mais a frequência das chuvas e, consequentemente, os volumes totais, o que eleva o risco de inundações, deslizamentos e vendavais.
Apesar do alerta, a intensificação do fenômeno não é sinônimo de desastre. O gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, Frederico de Moraes Rudorff, lembra que as enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024 ocorreram sob influência de um El Niño moderado e foram mais intensas do que os eventos registrados em 2015, ano em que o fenômeno alcançou uma das maiores intensidades já observadas. Já desastres como os de 2008, as enchentes do Alto Vale do Itajaí em 2011 e o ciclone-bomba de 2020 aconteceram justamente sob influência do fenômeno oposto, a La Niña.







