Longevidade traz consigo uma série de desafios

editorialA longevidade caminha a passos largos. O envelhecimento da população é considerado por estudiosos do assunto, uma das principais transformações dos últimos anos, em escala global, e fica ainda mais acentuado com o aumento da expectativa de vida, se configurando como uma das principais mudanças desse novo século. E os desafios são em todos os setores, com especial atenção à saúde, à qualidade de vida e a proteção dos direitos do ser idoso.

Nesta edição trazemos um exemplo dos desafios dos cuidados e proteção a este público, ao relatarmos a interdição da atividade de acolhimento de idosos em uma residência particular em Campos Novos, onde estavam sendo atendidas 8 pessoas. A interdição ocorreu em virtude de que a atividade não atendia às normas exigidas em lei, em relação à infraestrutura física, alvarás e equipe profissionalizada.

Os lares de permanência de idosos, conforme a Vigilância Sanitária Estadual, estão se tornando uma situação comum, porém, devem atender às adequações necessárias. E não se discute aqui o mérito do atendimento de quem se responsabiliza por este serviço, pois em muitos casos, é o melhor que pode acontecer, dependendo da situação em que vive o idoso, que pode já ter tido seus direitos violados e necessita de encaminhamento.

Com o aumento da longevidade, há mudanças significativas nas famílias e na sociedade, em função dos cuidados necessários com a população idosa. Precisam de mais ajuda, de cuidadores, de quem os assista de forma permanente, claro, aqui falando dos que por alguma razão estão incapacitados de se cuidarem sozinhos, e geralmente a motivação está relacionada a problemas de saúde. Velhice não é sinônimo de incapacidade e há bons exemplos disso.

Fica claro nesta reportagem que a responsabilidade por este atendimento, quando necessário, é da família, mas nem sempre isso acontece, seja por falta de condições financeiras ou mesmo tempo disponível dos familiares, ou ainda, por violação dos direitos do idoso. O acolhimento não acontecendo no âmbito familiar, compete ao município se responsabilizar pelo encaminhamento e a garantia dos direitos de proteção do idoso.

Uma realidade para refletir. A tendência do envelhecimento será crescer no decorrer das próximas décadas, é preciso que os filhos estejam comprometidos e preparados para serem pais de seus pais, o que deveria a ordem natural da vida. Envelhecer é inerente a todos os seres humanos e este processo assume dimensões que ultrapassam o simples ciclo biológico, podendo acarretar consequências sociais e psicológicas.

*Editorial publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1455 de 17 de novembro de 2016.

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