Direção Consciente: Responsabilidade de todos

Infrações e crimes de trânsito continuam a aumentar mesmo sob a guarda da lei.

Dia após dia nos deparamos com notícias tristes sobre infrações e acidentes de trânsito. Este é um problema mundial que tem sido debatido e causado preocupação nas autoridades e na população. Leis e multas são revistas na tentativa de minimizar os riscos. Este é um cenário que não é exclusivo dos grandes centros urbanos, mas é uma realidade que tem afetado também cidades menores, como é o caso de Campos Novos, um município de quase 35 mil habitantes. Dados da Policia Militar local apresentam, entre ocorrências e notificações, mais de mil casos. Dirigir veículo sem Carteira de Habilitação, dirigir sob influência de álcool, permitir posse de veículo a pessoa não habilitada, deixar de usar cinto de segurança, conduzir veículo com licenciamento vencido estão entre os mais citados. Nem todos os casos se configuram como crime de trânsito, mas sim como infrações que não levam a multa, porém todos representam falta de respeito as leis de trânsito que tem como objetivo zelar pela segurança das pessoas.

Tão comum de ver no município é a direção de adolescentes, um ato que, na maioria das vezes é corroborado por pais e adultos permissivos. “Meu filho dirige bem. Dirige até melhor do que quem tem carteira”, alguns talvez justifiquem, mas quais são os riscos? A conduta de dirigir sem habilitação, por si só, não constitui crime, mas constitui uma infração de trânsito, sendo a multa aplicada apenas ao proprietário do veículo. É preciso provar o risco concreto do comportamento do motorista não habilitado para que a ação seja configurada como crime. Os artigos 309 e 310 do Código Brasileiro de Trânsito estabelecem as normas para quem dirige sem habilitação e para quem permite e entrega a direção para pessoas desabilitadas respectivamente, assim como estabelece as devidas penas. Porém, quem apoia tal atitude contribui também para que o menor não tenha respeito pelas leis.

O capitão Marcelo Macedo, do 26 Batalhão da Policia Militar, afirma a importância de se acatar as leis de trânsito e dos pais darem o exemplo neste sentido para que os filhos também compreendam a importância de se dirigir com consciência e responsabilidade. “Na maioria dos casos são adolescentes dirigindo. Eles sabem que é errado, mas há uma conivência dos adultos. A direção precisa ser certificada porque vivemos num país em que o Poder Público concede a licença e diz quem pode dirigir. O carro pode ser uma arma na mão de uma pessoa. Só após se certificar que a pessoa tem estado psicológica e habilidade para dirigir após os 18 anos é que ela vai passar por um processo para ter o direito de conduzir um veículo. Precisamos ter segurança jurídica para autenticar quem pode ou não dirigir. Quem entrega um veículo para o de menor qual a mensagem que passa ao filho? Que as leis não precisam ser respeitadas. Elas passam uma mensagem de indisciplina, de que leis podem ser descumpridas, com isso ela dá um mau exemplo aos mais jovens. O adolescente vai crescer achando que as leis não precisam ser respeitadas”, refletiu.

A educação que os filhos recebem devem incluir as normas de segurança e a valorização a vida, e no trânsito isso se faz ainda mais necessário. As crianças e adolescentes devem ser ensinadas desde cedo pois vão crescer adultos conscientes. Os filhos tendem a ter os pais como exemplos e por isso é comum que eles imitem os pais na fase adulta. Ao dirigir é preciso seguir certas normas como utilização do cinto de segurança e não ingestão de bebidas alcoólicas. É preciso obedecer às leis não por medo das penalidades, mas por reconhecer que elas têm como objetivo preservar a vida de quem as acata.

Acidentes graves em Campos Novos

Apesar de inúmeros acidentes nem todos ocasionaram perdas significativas, apenas de valor material. No entanto ao se tratar de perdas de vida a situação causa comoção e uma perda irreparável. No ultimo final de semana famílias de Campos Novos perderam parentes em grave acidente de trânsito ocorrido em uma das entradas dos municípios. O jornal O Celeiro lamenta pelas perdas.

O caso acaba alertando a população e o Poder Público para que outros acidentes sejam evitados. O capitão Marcelo Macedo pontua o trabalho e consciência conjunta para que não ocorram mais fatalidades. “Para minimizar os riscos é preciso uma soma de fatores. O Poder Público tem que melhorar a infraestrutura das rodovias, por se tratar de uma BR a competência cabe ao Dnit. Sempre é possível identificar os locais com mais acidentes e melhorá-los. O principal é o fator humano, secundariamente tem que haver uma melhoria na infraestrutura da rodovia, especialmente em locais que tem mais acidentes, mas isso não exclui a responsabilidade dos motoristas”, afirmou. Nas redes sociais muitos camponovenses abraçaram a campanha que pedem providencias urgentes no Trevo da Gerwal (Local que aconteceu o acidente). O perímetro tem sido palco de muitos acidentes. Que todos se comprometam em dirigir de forma responsável para que mais vidas sejam protegidas.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, edição 1634 de 09 de julho de 2020.

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