Domingo , 20 Agosto 2017
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Convivendo com a menopausa

Conheça os sintomas do climatério ou menopausa, transição do período reprodutivo para o não reprodutivo e saiba como lidar com esta fase da vida da mulher.

Christian Farias Santos, ginecologista

Pesquisas apontam que de cada quatro mulheres, pelo menos três experimentam sintomas desagradáveis no climatério. As ondas de calor resultantes de sintomas vasomotores são os mais típicos, estão presentes em 60% a 75% das mulheres. Surgem inesperadamente como crises de calor sufocante no tórax, pescoço e face, muitas vezes acompanhadas de rubor no rosto. A temperatura da pele sobe, provoca sudorese que pode ser profusa, palpitações e ansiedade. As crises podem repetir-se diversas vezes por dia.

Mas os conhecidos calorões não são os únicos sintomas do climatério. Esta fase da vida da mulher pode inclusive trazer transtornos psicológicos, como depressão. É preciso que haja o acompanhamento de um profissional. Para levar mais informações sobre o climatério ou menopausa, nossa reportagem conversou com o ginecologista Christian Farias Santos.

“O climatério e a menopausa são a mesma coisa. A menopausa seria a parada da menstruação por mais de um ano e está inserida no climatério, que é o período de vida da mulher em que os ovários passam a produzir menos hormônios e começam os sintomas dessa falta hormonal. O principal sintoma nesta época é a irregularidade menstrual, chamada de perimenopausa, em que a mulher tem meses que menstrua e outros que não. Muitas vezes acontece de a mulher ter períodos em que a menstruação vem em grande quantidade, como se fosse uma compensação pelos meses que não houve menstruação. Mas isso não é arbitrário, não é sempre que acontece, mas pode acontecer e seria o primeiro sinal do climatério”, esclareceu Dr. Christian.

O conjunto de transformações que acontecem na vida da mulher durante o climatério, marcam o fim da idade fértil da mulher, reduzindo as chances de engravidar. A média de idade em que acontece no Brasil é de 50 anos.

“No Brasil é média é em torno dos 50 anos, mais ou menos 5 anos, então 45 anos seria a idade mais baixa e 55 anos a idade máxima. Fora desses parâmetros seria uma menopausa precoce abaixo dos 45 anos e tardia quando acontece acima dos 55”, informou o ginecologista.

Alterações hormonais e psicológicas

Christian Farias Santos esclarece também que no período do climatério ou menopausa, a mulher pode sofrer com o ressecamento das mucosas nas regiões da vagina e uretra. Pode ainda haver problemas com osteoporose e o útero sofre uma atrofia, entre outros sintomas.

“Com o avançar do tempo, com a diminuição dos hormônios, a mulher pode ter um ressecamento da pele, uma diminuição da lubrificação das mucosas, notadamente na mucosa vaginal, fica mais seca. Ocorrem também transformações do ponto de vista hormonal do controle do colesterol, por exemplo, passa a ter um controle menos rígido que acontecia antes, pela falta desses hormônios ovarianos. O que ocorre também é que o tecido que reveste internamente o útero, que é o endométrio, ele sofre uma atrofia, diminui a vitalidade dele porque está chegando numa fase onde já não são previstas novas gestações. A osteoporose também está relacionada ao climatério”.

Alterações psicológicas também estão presentes nesta fase da vida da mulher e não devem ser negligenciadas.

“Ocorre bastante também, depende muito da fase de vida que a mulher está passando, se é meio atribulada, isso pode se tornar um problema, no que tange ao aspecto de gestações futuras ou se existiu um planejamento familiar que não aconteceu. Também pode aumentar a depressão e a ansiedade. Os chamados calorões também interferem bastante sob o aspecto psicológico. Observa-se também que se existem doenças psíquicas de base, ansiedade, depressão e transtornos bipolares, podem em função do climatério ter um agravamento alternativo”, informou o ginecologista, acrescentando que todos os sintomas devem ser levados em conta numa avaliação médica e não devem ser subestimados.

Influênncia na sexualidade

Os sintomas do climatério tem sim uma influência direta na sexualidade e há necessidade de acompanhamento também neste aspecto.

“A passagem da vida fértil para não fértil é uma das fases evolutivas da condição humana e reflete o envelhecimento natural e tem um impacto, embora hoje tenhamos uma expectativa maior e com certeza uma vida sexual mais prolongada. Porém acaba tendo um impacto, havendo necessidade de acompanhamento e alternativas. A diminuição da lubrificação vaginal pode provocar desconforto, inibir a libido e reduzir a busca pela relação sexual. São fatores presentes também”, disse o médico.

A redução da produção de colágeno também se pronuncia mais durante o período do climatério, que pode ser amenizado com tratamento dermatológico.

Reposição hormonal

A reposição hormonal neste período pode ser feita, mas com a devida avaliação e acompanhamento de um profissional habilitado, pois embora o tratamento seja adotado, há casos em que existem restrições.

“Existe um interesse muito grande em fazer reposição hormonal, é um ponto bastante discutido hoje em dia e existem prós e contras. Existem até restrições para algumas mulheres, principalmente se elas tem problemas cardiológicos e muitas vezes o acompanhamento tem que ser feito junto com o cardiologista, a fim de verificar os benefícios que a reposição pode trazer ou não. Existem restrições bem conhecidas, são diversos tipos de medicamentos para este fim e um dos fatores mais marcantes é se a mulher tem útero ou não. Se o útero foi removido cirurgicamente é um tipo de tratamento e se está lá, é outro tipo. Se a mulher tem problemas cardíacos ou doenças isquêmicas, ela vai ter restrições para o uso da medicação também”.

Como reduzir os impactos da menopausa

Alimentação saudável, atividades físicas e alternativas de lazer, são algumas recomendações para reduzir o impacto dos sintomas do climatério ou menopausa, orientou Dr. Christian.

“É uma transformação orgânica e fisiológica que ocorre, mas a mulher pode reduzir o impacto negativo disso. Se você faz atividade física e não tem uma vida sedentária, você terá uma proteção maior contra a osteoporose. Além disso, ter alternativas de divertimento, de lazer e reduzir a sobrecarga do trabalho, a fim de evitar os efeitos psicológicos do climatério”.

Fato é que o climatério, embora seja uma fase em que a maioria das mulheres enfrenta alguns impactos negativos, Dr. Christian afirma que todas devem estar atentas também a outros aspectos relacionados à sua saúde.

“Além de se preocupar com este aspecto do climatério, não descuidar de outros relacionados à saúde da mulher, por exemplo, o exame preventivo deve ser feito anualmente, a mamografia deve ser realizada após os 40 anos de 2 em 2 nos e após os 50 anos, dever ser feita anualmente. Também em idades mais avançadas, o que a gente observa é o aumento do índice de câncer de ovário, então seria interessante manter o acompanhamento, para que a gente não vislumbre só o período do climatério e seus sintomas, mas a saúde da mulher como um todo”, concluiu o ginecologista.

*Reportagem pubicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1482 de 08 de junho de 2017.

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